Fim de 2009. Vamos dar Vivas a 2010!

Dez 30

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No final de cada ano, são sempre feitos balanços sobre o ano que se encerra. Confesso que tais balanços não fazem muito o meu género. Mas concordo que se deve reflectir sobre o que se fez, o que se poderia fazer e quais as estratégias para o ano que se segue. No meu caso sou mais de limpar a secretária, as gavetas, ver os projectos em mão e iniciar o novo ano com tudo limpinho.

Durante estes dias em que não tive tempo para actualizar o blog, recebi alguns emails muito curiosos. Um dos meus leitores dizia sentir a falta dos meus posts, e outro comentava que eu não dava opiniões sobre o estado da economia e das decisões tomadas (!) pelo nosso (des)Governo. Quando iniciei este blog não foi minha intenção dar opiniões sobre este tipo de temas. Há pessoas mais habilitadas que eu para o fazer. O que tão somente pretendi, foi apresentar novas ideias de negócio ou mais concretamente novas atitudes perante os negócios.

Nesta área, confesso, não preciso de muitos ensinamentos. Podem dizer que presunção e água benta cada um toma a que quer. Mas é a mais pura das verdades!  Ao longo destes quase 20 anos de actividade por conta própria, já fiz tantas borradas e já vi tantas coisas, que neste momento estou imune aos fazedores de opiniões e aos gurus ( se é que lhe podemos chamar isso). Pura e simplesmente não tenho ídolos ( os únicos que tenho são os meus filhos de 11 e 7 anos ), e recuso-me a fazer parte das hordas de seguidores de economistas, governantes e outros opinion makers. Leio sobre o que se passa à minha volta, acompanho as tendências, aprendo com quem sabe, mas por favor não me peçam para idolatrar alguém ou colocar nos píncaros uma determinada pessoa.

O que aprendi até agora, permite-me dizer sem qualquer ponta de dúvida, que devemos seguir os nossos instintos, ouvindo aqueles que sabem e têm mais experiência. Mas sempre sem subserviências e sem menosprezarmos o nosso valor e o nosso conhecimento. Não devemos ser yes man, antes ouvirmos e contribuirmos com a nossa opinião.

2009 foi um ano de profunda crise. Não só a nível financeiro e económico, mas também a nível moral. Os causadores da crise que passámos foram quase todos eles ilibados das suas responsabilidades. Os Estados deram, e continuam a dar, poderes exagerados à Banca e aos grandes grupos económicos. Não me digam que é conversa de comunista ou socialista, porque não o sou. Mas tenho de concordar que a Banca e o investimento especulativo foram responsáveis pela crise que atravessámos e continuaremos a atravessar nos próximos anos. Em Portugal basta atentar ao que aconteceu no BPN e no BPP para concordarmos com esta afirmação. João Rendeiro ( presidente do BPP ) foi considerado um génio para muitas pessoas, ou sobretudo para aquelas que gostam de arranjar gurus a qualquer transe. Mas o que saltou à vista de toda a gente, é que João Rendeiro foi mais um habilidoso, que contou com a ajuda do Estado para levar a cabo as suas vigarices.

Mas como estamos num blog que pretende dar ideias e assumir novas atitudes perante os negócios, para mim é mais fácil falar sobre as armadilhas que esperam os novos candidatos a criadores de empresas, e a forma como deverão assumir a sua iniciativa perante o mercado. Criar uma Empresa, hoje, significa ter uma nova atitude perante a sociedade e o mercado que pretendemos atingir. Já não se justifica criar uma actividade, apenas e só com o lucro em mente, sem qualquer consideração pela comunidade e por aqueles que contribuem para o sucesso da iniciativa. Os sócios, ou accionistas, não podem nem dever exigir altas taxas de retorno em pouco tempo. Os negócios devem ser sustentados e devem possuir características sociais evidentes.

Uma das figuras muito em moda nos últimos anos para o financiamento de actividades empreendedoras são os business angels. Não pensem que é algo novo. Já existem desde o inicio das actividades empresariais. A diferença é que o business angel moderno, tem mais formação (?) e sobretudo analisa todas as vertentes do negócio. Se antes conseguíamos que alguém investisse no nosso negócio, por sermos conhecidos da pessoa ou a mesma confiar nas nossas capacidades,  os business angels hoje em dia exigem complicados planos de negócios e taxas de retornos de tal maneira elevadas, que muitas vezes, cortam à partida  qualquer iniciativa empresarial.

Os  Estados Unidos é o único País do Mundo onde esta figura funciona a sério. As sociedades de VC e os BA’s têm objectivos concretos, pensam nos negócios estrategicamente e não como uma forma pontual de garantir altas taxas de retorno em pouco tempo. É uma actividade aberta, onde os candidatos poderão ver nos websites  quais os negócios financiados e sobretudo aquilo que procuram. No caso Português nada disto está disponível. Seguem-se muito as modas, primeiro foram as dotcom, depois passou-se para as TI´s na sua generalidade e agora há um exagero na procura de negócios eco-sustentáveis. Não há estratégia, mas antes seguir o rebanho.

Há uns dias um dos nossos leitores, que estava a constituir uma startup, perguntava-me se era aceitável a exigência de um BA, que após análise do projecto, lhe exigiu arranjar encomendas e algum dinheiro adiantado dos potenciais clientes como garantia do BA entrar no negócio. O que eu respondi, e considerando que a iniciativa era uma startup, é que a exigência do BA não fazia sentido nenhum. E que a mesma sendo feita representava desinteresse por parte do BA por um lado, ou então estávamos na presença de mais um habilidoso que quer fazer dinheiro com as ideias dos outros. Só entendo um BA como alguém capaz de partilhar riscos, e colocar a sua rede de contactos e conhecimentos ao dispor da actividade empreendedora do promotor da iniciativa. Há que ter cuidado com estes potenciais investidores. Para além da seriedade de muitos, há muitos mais que só querem ganhar dinheiro de qualquer maneira. Neste blog na área de links importantes tem acesso a BA´s honestos que poderão contactar.

A Banca pode ser uma alternativa, mas há que ter cuidado com os estrangulamentos que uma decisão deste tipo pode originar. Os Bancos só emprestam a quem tem, ou a quem pode apresentar garantias. E quando emprestam não querem saber se há crise ou não ( mesmo sabendo que foram eles que a originaram ). O ideal seria não precisarmos dos Bancos para nada. Podem dizer que é impossível. Eu também pensava assim, mas nos últimos 5 anos não recorri à Banca para nada, e digo-vos que não passei fome nem deixei de ter os meus rendimentos por causa disso. Só invisto quando tenho e se não tenho não invisto. Em vez de ter um carro de 10.000 euros, por exemplo, ando num carro de 2.000. Sem preocupações de pagar leasings e a matar a cabeça como vou arranjar dinheiro para pagar os empréstimos.

Por fim vou dar a minha opinião sobre as duas maiores figuras, uma nacional e outra internacional, do ano 2009. A figura nacional de 2009, foi na minha opinião, o Comendador Rui Nabeiro. É um verdadeiro empresário na acepção da palavra. Comecei a minha actividade por conta própria em 1991 e foi precisamente com o Comendador Rui Nabeiro que fiz o meu primeiro negócio. Construiu um império do nada, e sem formação que não seja o seu tino para o negócio, e honestidade, teve e ainda tem  uma preocupação social evidente, sem se pôr em bicos de pés. Li uma entrevista de Rui Nabeiro há umas semanas atrás e foi comovente ver a sua preocupação com o seu semelhante, e com as pessoas que contribuíram para o seu sucesso. Para além disto envolveu a família nas suas Empresas e muitos dos negócios são conduzidos por filhos e netos. Mas a última palavra é sempre dele, depois de ouvidas todas as opiniões.  Relevante foi ainda a crítica feita por Rui Nabeiro, aqueles industriais e dirigentes patronais que criticaram o Governo por este ter fixado o ordenado mínimo em 475 euros. Rui Nabeiro demarcou-se destes empresários ( se é que lhe podemos chamar isso ), e disse sem rodeios que o futuro está nas pessoas, sobretudo nos bons profissionais, e que os empresários deviam pensar primeiro na sua formação e bem estar como sinónimo no desenvolvimento de empresas de sucesso. É isso que se faz em Campo Maior no Grupo Delta do Comendador Rui Nabeiro.

A figura internacional, na minha opinião foi Lula da Silva,  Presidente do Brasil. Sob o seu comando o Brasil, não obstante as suas deficientes estruturas, está a tornar-se numa potência cada vez maior e com peso na cena internacional. Lula não é um yes man, e fico feliz que alguém imponha  a sua agenda sem se preocupar com aquilo que Obama e a sua administração pensa.

Feliz 2010!

 

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